Falta de equipamentos provocou o cancelamento de 44 voos no Aeroporto Ministro Victor Konder na semana passada
A densa névoa que vem do mar provocou na última semana – segundo
relatório fechado na sexta-feira – o cancelamento de 44 voos no
Aeroporto Ministro Victor Konder, de Navegantes, que tem uma média de 28
pousos e decolagens diárias. O nevoeiro impede a visualização da pista,
por parte dos pilotos, e impossibilita operações seguras.
Enquanto
o movimento de aeronaves nos céus da região diminuía, em terra
aumentava o número de passageiros insatisfeitos. Segundo especialistas,
equipamentos mais novos e modernos poderiam minimizar o problema. Mas
falta espaço para instalá-los em Navegantes.
_ Em nosso cenário
atual, não temos possibilidade de implantação. Não por falta de
recursos, mas pela limitação do sítio aeroportuário _ diz o
superintendente da Infraero em Navegantes, Marco Aurélio Zenni.
Hoje,
o aeroporto opera com o sistema Rádio Farol não direcional, que ajuda
nos procedimentos de pouso e decolagem, mas não faz diferença em dias de
nevoeiro. Um pouco mais avançado, um equipamento de VOR
(Omnidirectional Range Radio) está instalado em Navegantes, mas ainda
precisa ser homologado pela Aeronáutica para que passe a operar _ o que
pode ocorrer em dois meses.
_ O VOR é mais preciso do que o
sistema usado atualmente, mas não influencia em casos de redução de
visibilidade e teto _ diz João Carlos Mattioda, major da Aeronáutica
especialista em controle de tráfego aéreo e professor de Ciências
Aeronáuticas da Universidade Tuiuti, no Paraná.
Segundo ele, a
solução para melhorar a viabilidade de pousos e decolagens com neblina é
a instalação de outro tipo de aparelho, o ILS (Instrument Landing
System, ou Sistema de Decolagem por Instrumentos). O equipamento é usado
em aeroportos como o Galeão (RJ), Afonso Pena (PR) e Guarulhos (SP) _
que testa a versão mais avançada do sistema.
Além de aviões e
tripulações aptas a operar por instrumentos em condições de baixa
visibilidade, o ILS também exige espaço para a instalação de antenas nas
cabeceiras _ justamente o que falta em Navegantes.
Sistema mais barato em teste
Embora
melhore as condições de operação e diminua a frequência de fechamentos
do aeroporto decorrente de neblina, o ILS não é suficiente para garantir
pousos e decolagens em qualquer condição meteorológica. Além disso, tem
um custo elevado, de cerca de R$ 15 milhões.
A solução pode
estar em um sistema diferente, que opera através de navegação via
satélite. O RNP (Required Navigation Performance, ou Requisito de
Desempenho de Navegação) funciona dentro das aeronaves, e não necessita
da instalação de equipamentos em solo.
O primeiro exemplar, ainda em teste no Brasil, está instalado no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Ampliação pode iniciar em 2013
A
falta de espaço para instalação de equipamentos em Navegantes pode
estar mais próxima de ser resolvida. A Infraero pretende retomar um
convênio com o município para finalizar a indenização dos imóveis que
estão na área de interesse do aeroporto. Ainda faltam ser efetuadas 30%
das desapropriações.
_ Até o final do ano queremos ter todo o
levantamento topográfico e avaliação. Se estiver tudo certo, passaremos
para a fase de licitação dos projetos e estudo de impacto ambiental _
diz Marco Antônio Zenni, superintendente do Aeroporto de Navegantes.
Segundo
ele, há possibilidade de Navegantes ser incluída no plano de fomento da
aviação regional, capitaneado pelo governo federal. Se isto ocorrer,
diz Zenni, o prazo para que um novo terminal e uma nova pista estejam
prontos, que inicialmente era de sete anos, será reduzido.
A
necessidade de ampliação se explica pelo aumento na movimentação do
aeroporto. Desde 2003, o número de passageiros que passou pelo terminal
de Navegantes subiu de 8,7 para 21,6 mil _ um acréscimo de 150%.
Meteorologia prevê mais nevoeiro esta semana
A
previsão de um início de semana com temperaturas mais baixas do que a
que passou pode trazer, novamente, os nevoeiros para a região. A
diferença é que, desta vez, a névoa não virá do mar, mas da terra.
Responsável
pelo Laboratório de Climatologia da Univali, o professor Sergey Alex de
Araújo explica que o nevoeiro se forma quando o ar atmosférico encontra
uma superfície de temperatura diferente.
Na semana passada, a
atmosfera, mais fria, encontrou o mar numa temperatura mais alta. Esta
semana, deve ocorrer o contrário: uma atmosfera mais quente encontrará a
terra mais fria, devido à queda na temperatura que é esperada para os
próximos dias.
_ É como soprar numa janela. O ar quente encontra o frio, e se condensa. É assim que se forma o nevoeiro _ diz Araújo.
Segundo
ele, a posição geográfica de Itajaí e Navegantes favorece a formação e a
permanência da névoa. As cidades estão cercadas por morros e recebem
uma grande carga de umidade vinda dos rios e do mar que cortam a região.
A propensão a registrar nevoeiros, porém, não chega a ser
impedimento para as operações de um aeroporto, segundo o superintendente
da Infraero em Navegantes, Marco Aurélio Zenni:
_ Muitos outros
aeroportos também fecham por intempéries. Os locais para instalação são
alvo de uma série de testes feitos pela Aeronáutica, de clima,
temperatura, direção de vento. A proximidade com o litoral é um ponto
forte em termos de operação.
Fonte: JSC